Comunicação com Chico Gato!

Comunicação Intuitiva com Animais – Relato

Meu nome é Ana Lucia e sou médica veterinária formada pela USP. Moro em SP – capital.

Sempre tive em meu interior o desejo da comunicação com outras espécies. Sempre existiu dentro de mim um questionamento sobre o que esses seres realmente querem nos falar, principalmente os nossos animais. Talvez pelo fato de muitas vezes vê-los assustados e incompreendidos dentro do ambiente hospitalar com o qual lido.

Com esse questionamento e com uma vontade de mudar minha visão, conheci no final de 2015 a Sheila Waligora com o curso de Comunicação Entre Espécies.

Através desse curso e com os valiosos ensinamentos da Sheila pude entrar em um gratificante mundo cheio de descobertas. Gratificante e ao mesmo tempo desafiador.

E assim, aberta a esses novos caminhos cada dia vivencio um novo aprendizado. Com isso, a medicina veterinária e a relação com meus pacientes tomaram um outro rumo. A ajuda a qual posso fornecer tem se tornado plena.

Isso aconteceu com um de meus pacientes, um caso recente.

O Chico é um gatinho muito especial em minha vida. Já o hospedei em minha casa (em outra ocasião) por conta das férias de seu tutor (uma pessoa muito querida, a qual considero um irmão) e que tem um amor incondicional pelo Chico.

No mês de maio/2016 o Chico (srd, aproximadamente 4 anos), até então saudável, começou a apresentar apatia e febre. Passou a se alimentar menos e a ficar escondido em um canto. Como gatos possuem a característica de esconder os sintomas quando algo não está bem, somente depois de dois dias nessas condições recebi a notícia de que o Chico precisava de um médico.

Imediatamente pedi que fosse trazido até mim e aí começou a história dele.

Foram realizados vários exames (todos até então com resultados normais) porém, ele continuava com febre.

Preferi mantê-lo em minha casa por possuir melhores condições de administrar os medicamentos.

Mas, apesar de toda a atenção e cuidados o Chico entrou em um estado de apatia muito grave, parou de se alimentar completamente e não reagia a nenhum medicamento. Parecia em tristeza profunda (o foco da possível infecção não conseguíamos descobrir através dos exames).

Como consequência (por ter parado de se alimentar) já não defecava e urinava normalmente. Os seus exames de sangue e urina começavam a apresentar alterações em decorrência disso.

Um gato sem se alimentar entra em processo de falência dos órgãos muito rápido se nada for feito.

Como última alternativa teríamos a internação em uma UTI e a sonda nasogastrica para forçar a alimentação. Todas as minha alternativas para fazer com que o Chico voltasse a se alimentar estavam se esgotando.

Via aquele gatinho doce e frágil aos meus cuidados triste e prostrado, sofrendo longe de casa e do seu amigo. Como poderia deixar o Chico em uma UTI, forçando a alimentação, cheio de acessos e pessoas estranhas ?! Apesar de ser necessário, sei também que esse é um ambiente que traria mais sofrimento ainda para o Chico. Ele só pioraria.

Foi aí que entrou a comunicação e todo o meu conhecimento sobre o assunto até então. Era a alternativa para fazer o Chico entender o que estava se passando e como poderia me ajudar a ajuda-lo.

Nessa certeza resolvi que faria uma alimentação natural, batida em consistência pastosa e daria por seringa diretamente na boca dele. Mas, gatos relutam a qualquer procedimento mais forçado.

Então, através da comunicação iniciei um processo pedindo ao Chico que me ajudasse. Explicava que todos na casa dele estavam com muita saudade. Falava de maneira clara e gentil que lá (sua casa) já não era mais a mesma, ele era um gatinho especial e precisava voltar. Descrevia como estava o ambiente sem ele e prometi que se ele voltasse a comer o levaria de volta (estipulei uma data por ocasião de uma festa que teria em sua casa) e dizia diariamente: “- Chico, você precisa estar lá!”

Pedi que seu tutor viesse visitá-lo e também se comunicasse com ele, usando todo o amor possível. Assim foi feito. No dia da visita, o Chico olhava, compreendia e já na madrugada demonstrou sinais que queria reagir.

A cada comunicação o Chico respondia querendo voltar. Permitiu que eu o pegasse no colo e desse a alimentação pastosa. Primeiro pouca quantidade na seringa. Mas, eu insistia em me comunicar com ele, explicava sobre os remédios e que era necessário voltar a comer, só assim ele retornaria ao seu lar.

Assim, no período mais crítico e grave a cada duas horas eu repetia o processo. Confirmava através da comunicação a data que o levaria de volta e a necessidade em permitir que eu administrasse os remédios e a alimentação. Falava também sobre a saudade que seu amigo sentia e a falta que o Chico fazia para ele.

O Chico respondia deixando que eu fizesse todos os procedimentos. Já não reagia de forma agressiva a manipulação estressante que é abrir a boca e forçar algo. Gradativamente fui aumentando a quantidade de alimento e ele aceitava.

Assim foi durante uns dias. Porém, para retornar para a Festa em sua casa o Chico precisava comer sozinho. Pedi através da comunicação mais esse esforço. Sempre deixava claro através da minha comunicação com ele cada passo de nosso tratamento e completava: “- Chico, você precisa voltar para o seu lar e amigo que o ama!”

Em um momento ao me comunicar e ao oferecer a ração até então rejeitada, ele me olha e pega um pouquinho com a boca, sozinho. Foi uma felicidade! A cada comunicação, o Chico me compreendia e reagia.

Desse momento em diante, eu tive a certeza que ele queria muito voltar para sua casa. E eu estava ajudando para que isso acontecesse.

Depois disso o Chico ainda ficou comigo por mais uns dias. Voltou gradativamente a comer sozinho e normalmente. Todas as suas funções estavam restabelecidas e ele já brincava pela casa. Eu agradecia o Chico por cada avanço.

Repetimos todos os exames e estavam normais. Suspendi os medicamentos aos poucos.

Assim, o Chico já podia voltar para a sua casa, na data que eu afirmei para ele que voltaria e que nós (eu, o Chico e seu amigo) nos esforçamos para que acontecesse.

Então, no dia 13/junho, na Festa de Santo Antônio de Pádua, feliz e saudável ele estava em seu lar. O Chico mora em uma Igreja e Santuário de São Francisco de Assis.

Muitas coisas contribuíram para o restabelecimento da saúde do Chico. Porém, não resta nenhuma dúvida que a Comunicação entre nós (humanos e gato) foi essencial! E sou muito feliz por isso.

Agradeço a você Sheila por ter me apresentado a esse novo Mundo.

E essa sou eu e o Chico no dia em que ele voltou para casa.

Ana Lucia Armigliato
Médica Veterinária (CRMV – 14711)
Especializada em Medicina Veterinária Chinesa e cursando pós graduação em Clínica Médica de Felinos Agosto/2016

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